Observando a história evolutiva da humanidade nos surpreendemos com tamanha grandeza de feitos em busca da felicidade e harmonia....!? O que busca a humanidade ao evoluir é uma questão que neste minuto me intriga bastante. Se buscamos algo enquanto espécie porque não agimos como grupo, e porque tantos vivem a margem do que deveria ser unânime, o equilíbrio dos suprimentos essenciais a vida?
Nos últimos dias encontrei lembranças perdidas em tempos diferentes e queria oferecê-los de maneira que possibilite uma visão mais afirmativa do que deveria ser a atitude humana: a preservação da vida (sem egoísmo).
Deixo-lhes um vídeo apresentado por uma professora do ensino médio, que mexeu com minha compotamento ignorante a respeito dos outros.
E anos mais tarde um colega-amigo-ídolo me apresentou uma explicação interessante sobre a evolução e a reação que isso acarreta ao planeta.
Espero que ambos possam acrescentar em suas vidas de maneira a alimentar o bom ser humano que existe dentro de cada um.
Ali, debaixo do solo arenoso onde o povo constrói seus lares famintos, existe o mito de que o divino num mimo desmedido teria escolhido tal terreno ingrato para ser o grato espaço na Terra do paraíso celeste. A praga ou a peste é que o mesmo Senhor que teria inspirado tais palavras esqueceu de inspirar a convivência harmoniosa dos humanóides barrentos.
Agora, milênios depois da profecia, é impossível distinguir em que lado das fronteiras habitam os demônios da intolerância. O céu da estrela guia é o pano de fundo para o risco dos mísseis e balas encandescentes, os campos ensolarados é cemitério de homens em decomposição ao sol sem direito aos sete palmos de terra, as crianças que perpetuam a cultura são projetos de homens-bombas e fuziladores.
Nos últimos dias os israelenses mataram alguns perigosos ativistas pacificadores em prol da manutenção do ambiente bélico daquela interessante região do mundo que mais parace uma Santa Terra de Ninguém.
Se você é cidadão do mundo e ciente de sua parcela de importância na sociedade tem o direito e o dever de participar das ações que o irão transformar.
Nós que fazemos parte do sistema que não funciona devidamente, um país que vive na promessa de um futuro que só se distancia que não nos sentimos satisfeitos com a segurança, com a justiça, saúde e educação, que não concordamos com as relações de comercio, que não estamos satisfeitos com os serviços prestados por determinadas empresas, que não concordamos com as relações de vizinhança, que percebemos os equívocos do convívio social, devemos tomar parte desta história e através de pequenas ações promover a mudança.
O lirismo comedido dos acomodados apenas aceita os erros de uma sociedade que vem se desfigurando ao ponto de que o cidadão (principal elemento da sociedade) seja uma figura sem valor e sem perspectiva. Os homens que ficam esperando uma solução divina para os problemas e carregam suas orações de pedidos deviam entender que o ditado “quem cala consente” não é uma resposta afirmativa do seu deus. Não perca tempo esperando que suas respostas caiam do céu, o máximo que pode vir de lá é chuva, fezes de pombo ou um avião com defeito.
Se faltar energia elétrica ou água no seu bairro/cidade, não espere que a concessionária do serviço adivinhe o problema, afinal de conta o lesado é você. Se você ligar, eles não poderão alegar desconhecimento do problema, se mais cem vizinhos seus ligarem eles perceberão a dimensão agravante da situação, se mil ligarem tenha certeza que eles terão urgência em solucioná-lo.
É preciso participar entendendo que nós somos fundamentais ao sistema social. Para isso existem três etapas que devem fazer parte da nossa atividade perante o ambiente de convívio: Reconhecer, Reclamar e Sugerir. É necessária a observação da situação, analisar o nosso ambiente social, seja ele no trabalho, em casa, no município ou até mesmo na intimidade de um relacionamento. Através desta observação é possível informar a outra parte por meio de suas reclamações sua atual insatisfação com o objeto da analise, assim o responsável poderá tomar alguma atitude, seja ela positiva ou não, o importante é você realizar o seu papel. Por fim a construção da solução, isso acontece por meio da interação dos conhecimentos e senso de necessidade. A partir das experiências individuais dos integrantes da sociedade se constrói uma consciência coletiva que viabilizará a transformação democrática.
Nós somos seres sociais, portanto convivemos e não há tarefa mais árdua e gratificante do que esta. Temos que intensificar as relações seja a de mãe e filho, aluno e professor, morador e prefeito, consumidor e empresa, vizinhos, cidadão e governo. A transparência de nossos anseios estabelecerá as medidas e reações da outra parte. Já não é cabível o acomodamento, é preciso incomodar para desenvolver.
Saia da massa conivente. Venha para MASSA consciente!
Depois de penar em minha rotina um tanto desinteressante tive tempo e coragem para encerrar a leitura do ótimo livro do Marcelo Rubens Paiva, Feliz Ano Velho, que narra toda a aventura pessoal do autor após um acidente que o deixa tetraplégico. De maneira jovem, linguagem escrachada e sensibilidade um tanto ingênua nos é oferecido um pouco da história particular, com relatos de uma realidade infantil-ditatorial-familiar-estudantil coletiva dos anos que antecederam o acidente, de um personagem encantador por sua sinceridade anti-heróica.
O que mais impressiona na escrita do Marcelo é que o atraente na literatura aleijada que ele nos imprime, o que se ressalta não são os desprazeres dos novos hábitos, nem a infelicidade do resultado do incidente, nem qualquer insatisfação natural humana, mas o que impregna em nossas mentes depois do deleite da leitura é a impressão sensorial que suas palavras nos promovem. Dá pra sentir a delicia desvairada da Av. Paulista, sentir a imersão do bosque pela janela do quarto de UTI, sufocar pelo teto branco do hospital que nos aprisiona sem movimentos sobre a maca (isso me aconteceu em um sonho assustador).
Agora com toda certeza o que parece mais estranho é encontrar a alegria em cada nova página atráves das histórias fantásticas que viveu ao lado de personagens tão comuns que parecem nossos colegas de classe ou mesmo vizinhos. A descrição dos elos que fazemos pela vida é emocionante pois se existe algo honesto é o sentimento que produzimos por amigos em nossos mágicos momentos cinematográficos do cotidiano.
O Marcelo é um camarada inusitadamente interessante, acordou pra vida quando o mundo inteiro (inclusive ele) já o via entregue.
Para um personagem como esse só nos resta fazer como outro anti-herói corinthiano, o Zina:
Entro na sala de espera e ele já estava lá sentado em seu espaço do sofá. Ali em frente àquela figura inusitada uma senhora cristã balançava a cabeça abismada com as palavras daquele senhor. No auge de seus setenta anos ele ratificava seus pensamentos sobre o mundo e sobre os tabus que o cerca. Ele confirma mais uma vez a inexistência de deus, e usa seus argumentos bem fundamentados para validar suas ideias. Ela apenas se vale de trechos bíblicos para tentar rebater. Ele cita sua vasta coleção de informações (inclusive a bíblia) e termina o dialogo se valendo da oração seguinte:
- As religiões são fundamentais para satisfazer os ignorantes.
Não me interessa avaliar quem tem a razão na discussão, mas a sensatez daquele homem de uma época diferente, filho de nossa região e das limitações que a mesma oferece. Ali, ele com os olhos abertos para o mundo demonstrava a libertação da mente humana em sua plenitude. Talvez ele morra amanhã e não conheça os campos verdejantes do céu, mas pelo visto se ele imagina algo de além, não será algo tão monótono como vendem os pregadores financeiros do ambiente celestial.
Depois de uma manhã de espera veio a hora do exame e da despedida, ele me olhou sorridente depois de um belo diálogo sobre coisas vãs e etc. Seu olhar de uma vida me mostrou como é importante valorizar o conhecimento, e agregar a nossa vida um pouco da coletividade que cada ser vivente pode nos oferecer.
O velho se foi e eu também, mas permanecemos em nossa ânsia pela busca.