9 de fevereiro de 2012

Breve observação sobre a Greve da PMBA



Antes de qualquer precipitação não há interesse desse texto em ofender crenças, posições políticas ou sociais dos leitores que se dispuserem a analisar tais palavras.

Sem sombra de dúvidas a parte mais ofendida e agredida com a atitude de paralisação da PM é o povo baiano que se acua em receio a uma realidade que em dias normais já apresenta preocupação, quanto mais em dias sem a atividade policial como asseguradora da manutenção da ordem. Economicamente a sociedade vive a incerteza do futuro próximo e ainda tenta calcular o prejuízo já causado pelo movimento. Infelizmente a liberdade do cidadão que nunca passou de uma ilusória sensação, ‘ainda que insegura’, de realizar as ações aceitáveis no ambiente social se dissolve de maneira instantânea quando o individuo mesmo atrás das grades de sua casa não dorme com medo de receber visitas indesejadas nas madrugadas e demais horas do dia. A sociedade que em outras manifestações foram reprimidas pela PM enquanto braço forte do governo, e que aqui não culpa a sociedade pela apatia em se manifestar, admite o medo e se limita a culpar alternadamente as partes por seus problemas pessoais, sem perceber que corre o grave risco de ficar refém das vontades do Poder Público e suas manobras de manipulação que faz definhar qualquer futura manifestação em busca de direitos.
Mas as outras partes envolvidas, PM e Governo, também convivem com suas mazelas como resultado do evento.
O governo, que agora na figura de revolucionários e fomentadores de manifestos contra o desrespeito do governo no passado, perde credibilidade, se ainda havia alguma, com os cidadãos e vê um ano político se iniciar de maneira desastrosa para o partido, ao tempo que mancha de maneira definitiva as páginas históricas da política baiana sendo responsabilizada pela baderna causada durante o período, apesar das milionárias ações midiáticas que tentam a todo custo negar desde a existência do movimento até mesmo pousar toda culpa pelo escarcéu sobre os grevistas.
Nesse ponto os demais poderes além do executivo se entrelaçam numa rede de histórias confusas que nada mais fazem além de atrapalhar as negociações, como também promover o terror. O legislativo que abriga contra a vontade os indesejáveis trabalhadores que se opunham as condições de trabalho, e que foram eles, deputados, que aprovaram as leis de reajuste salarial destes soldados a mais de 10 anos atrás, e também sabendo da insatisfação da classe pelo não cumprimento das mesmas leis, preocuparam-se apenas em reajustar os próprios salários em mais de 60% na calada de uma noite de verão, e também por isso não tem moral nenhuma para impor o exemplo sobre os manifestantes.
O judiciário se mistura de maneira desastrosa quando uma figura sob suspeita de venda de sentenças, denunciada pelo Conselho Nacional de Justiça, determina o cumprimento imediato de mandados de prisão aos líderes grevistas, ou seja, líderes de associações, por crimes intuídos como da autoria dos mesmos, sendo que alguns nomes listados entre os procurados são figuras que não se manifestaram e nem mais parte fazem das diretorias destas associações, bem como excluem nomes da lista por estarem diretamente ligadas ao partido governante. Outros juristas abordam a ilegalidade da greve, tendo em vista o caráter de necessidade do serviço de segurança para que o estado democrático de direito possa funcionar de maneira plena e correta, contudo se esquecem que a dignidade humana é um sentimento individual sobre um pensamento coletivo, e neste ponto o individuo que se sente indignado com o desrespeito do Estado, e por vezes da população que o mesmo defende, abre mão da legalidade para fortalecer a moralidade de sua função. Sendo assim, é provável que se o mesmo Judiciário que aborda a legalidade das greves tivesse força para determinar o cumprimento das leis já existentes para a equiparação salarial quanto à importância da função, não estaríamos agora gastando nosso tempo neste debate.
O vulgo 4º Poder, a Mídia, se delicia com matérias e com negócios sujos por baixo do pano para atacar ou defender partes do jogo, dependendo apenas de quem está por trás das câmeras com os bolsos cheios para financiar seus interesses. Enquanto fomentadoras de opinião as redes de televisão e rádio, além da mídia escrita, oposição ou situação no ambiente político, apresentam suas imagens e gravações depois de edições bem planejadas para que a sua platéia consuma os fatos narrados como verdades absolutas e se manifestem a favor dos seus benfeitores de colarinhos brancos, o ambiente virtual se torna um campo de batalha onde as informações, verdadeiras ou falsas, se misturam de forma que em dado momento fica impossível distinguir como elas devem ser classificadas. No ambiente virtual se cria a pior batalha onde as opiniões tentam se sobrepor como numa luta de quem é mais forte e mais sábio, mal sabendo os detentores de opiniões, como esse que vos escreve, de que nada adianta berrar, nem proclamar, no fim das contas ninguém vai te ouvir mesmo.
E por fim o Policial que está a mercê dos poderes do estado enquanto funcionário e cidadão, que é expectador de informações maquiadas e internauta com opinião muda, assim como as outros. Então o Policial que reivindica seus direitos também sofre com os impactos da paralisação, porque ele tem família que corre risco como as outras, família que trabalha em outras áreas e sofre o impacto econômico, família que se acua em suas casas e fica sem dormir por dois motivos: o medo da visita indesejada e o receio pela situação do seu ente grevista que vive o embate com a força do Estado. O policial, e não o vagabundo fardado, que merece ser investigado e julgado antes mesmo de ser considerado culpado, afinal o Governador insiste em dizer que ‘vivemos num estado democrático de direito’, esse sofre tudo que a população sofre e ainda corre o risco de perder a sua vida, como infelizmente alguns já perderam.
O Policial não é só profissional de segurança, ele é também um amante do bem social. Assim um PM morreu quando reagiu a um assalto numa pizzaria em Salvador, ou mesmo o PM que morreu num roubo na via de Camaçari ao tentar ajudar um carro que supostamente teria sofrido um acidente, assim como o PM aposentado que tentou proteger os clientes de um comercio em Feira de Santana durante um roubo, estes não estavam trabalhando, estavam como o CORPO da corporação em greve, mas ninguém que está em greve se abstém de proteger a sociedade quando a situação necessita de sua intervenção.
Nesse tabuleiro de candidatos ao estrelato ninguém é santo, e ninguém é otário. Mas creio que os PMs não acreditam que um governo que não cumpriu os seus acordos, nem os acordos de seus antecessores, farão com que governos futuros cumpram uma regulamentação que já está atrasada. Bem como, creio que a população baiana é inteligente suficiente para entender que a voz do coletivo é maior do que qualquer entidade do governo e maior do que o próprio governo.
Mas até tudo se resolver vamos nos limitar a reclamar no twitter, facebook, orkut, sei lá eu onde mais, afinal aqui é a Bahia e quando o carnaval vier tudo de ‘ruim’ será esquecido. Analisem suas atitudes e se preparem pra viver uma ditadura alimentada pela mídia onde seu lugar será o calabouço silencioso sem direito ao sonho utópico de um estado digno. Infelizmente vivemos em um Estado de Imoralidade Social.

Ciente do risco de ter minhas palavras editadas (rs) e de acordar com um mandado de prisão por expor minha opinião contraria ao governo, agradeço sua atenção.

31 de janeiro de 2012

a - som - brado...1!

Quando me perco em madrugadas lentas e nada sonolentas eu divago no vão de versos alheios. Nesse meio eu me proponho a apresentar.
Escute, vale realmente a pena.

Cícero - Ensaio sobre ela
Criolo - Não existe amor em SP
Gustavo Telles e os Escolhidos - Do seu amor primeiro é você quem precisa
MIM - Pra longe
Tibério Azul - Quando Maria me fundou o carnaval
Música de Ruiz - Mais um dia
China - Overlock
Barbara Eugênia - Haru
*Mallu - Velha e louca
Lirinha - Ela vai dançar


Os Cds estão disponíveis para baixar nos sites:
*e o que não estiver disponível dá pra ver no youtube.



22 de janeiro de 2012

Cartas de Verão - II

º- O céu, a areia e a tua alegria

Foi quando vi tua boca em outra na beira do mar que percebi que já não há mais o que fazer para reverter o sentido da maré. Demorei muito para encontrar o teu sorriso fácil e valorizar o teu querer presente, agora já não vejo mais na gente a sorte de se embalar no balanço de desejos incomuns. Somos seres em correntes inversas e já não há mais pressa em se reencontrar.
Aquela areia sob seus pés são testemunhas de um momento que nunca seria nosso. Posso deitar tranqüilo, pois sinto que teu brilho já encontrou outro astro de vasto sentimento pra te acarinhar. Que a brisa te carregue leve para os sonhos mais bonitos e que o riso dessas tardes quentes ganhe o vão do tempo rumo ao infinito de tua felicidade.
Com a idade a gente perde a precipitação e adquire a compreensão sobre o egoísmo. Invejo a tua estada, mas me alegro com teu caminho já não mais solitário. Sob o sol vermelho que se deita na linha do horizonte vejo de longe tua estrela de novo a se iluminar. Não serei farsante e negar que seria um delírio possuir, nem que seja por um instante, a vaga de quem te tem. Mas meu bem a vida é mesmo assim, e o verão é diferente pra cada um.


19 de janeiro de 2012

Cartas de Verão - I

º- Empório dos Desejos

Quando o sol dorme a chapa da terra se matem em brasa pra fazer da nossa casa um inferno noturno particular. Longe, teus braços não sentem o suor que se desloca do meu corpo feito lágrimas de desejo, feito saliva em beijo de tesão.  Líquidos pelo espaço do quarto e o teu cheiro em sentido ilusório se torna mais um item nesse empório de coisas que quero e continuo sem possuir.
Longe léguas daqui em algum lugar do vasto mundo teu corpo de um doce absurdo é saboreado por bocas famintas. Inveja, não raiva, de uma imaginação fértil que não acredita no desperdício de teu sono solitário. Queria estar no páreo pra dividir contigo depois da linha de chegada o calor dessa louca caminhada que é ir e vir todo dia ao dormir e acordar. O meu sono é uma passagem para uma terra de nós dois onde o intenso instante é o agora interminável.
Aqui meu corpo evapora na lembrança de algumas horas em que o tato ganhava real sentido, quando a soma se concretizava e se cristalizava para ser acessado em momentos como esse em que eu sumo no silencio fervente de uma noite escura. Espero que o sonho dure o tempo de te encontrar, e que esse despertar ocorra antes do fim de mais um verão.

15 de janeiro de 2012

Amor nos anos 90


blur - girls and boys

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E se o mundo fosse outro, pouco diferente desse de hoje, sem as aversões alheias ao que não nos é comum, sem a estranheza pelo normal. Se fosse um mundo sem o mal de imaginar que a razão é aceitável em um âmbito individual, desde que permita ao coletivo não o senso comum, mas a satisfação de cada um, respeitando para isso os limites da ofensa. Sem que fosse possível ofender ao desfazer em ação o que o outro pensa ser certo. Seria esperto e interessante enfim ser feliz. Cada ser sendo o que se quer sem  a opinião de uma comissão critica  para avaliar o andar do pé. Livres os rumos seriam outros.
Que seja o que for! Nada na real vale tanto quanto 
se fazer feliz.

Quero ver o sol se pôr.
Já é tempo de mar e amor.

7 de janeiro de 2012

Parcela do Dia


A música começa no fone do individuo alucinado que corre pela rua da cidade assustada, quando do nada aparece o monstro do ônibus rompendo as fronteiras da via, ele desvia e sobrevive ao primeiro suspiro sem imaginar o que há de vir, mas adivinha o que precisa fazer para ter o que almeja com aquela fuga vibrante, como um amante fugindo do dono da casa, ele extravasa a sua alegria em um temor evidente na face sorridente de quem pressente que o fim se aproxima, ai se apruma no passo e desembaraça as idéias inúmeras que na cabeça se confundem e se consomem vorazmente em profundos pensamentos vãos, essa cabeça base de um outdoor gigante de uma marca qualquer em brilhantes num boné sem graça e desgastado que faz do ser usado um usuário satisfeito, desfeito de qualquer sensibilidade coletiva se imagina o dono do mundo, mas no fundo se sente um só no meio do modo industrial de produção, induzido a acreditar que seu caminho é sua opção quando na verdade não, ainda assim faz um bem a si aceitando que na rota abrem-se portas de maneira horripilantemente estranhas quando nas entranhas pára para analisar que não foram suas mãos as desbravadoras, sem demora vê as horas e adentra o ventre da minhoca mecânica sobre trilhos no aperto colossal das células que rumam para o mesmo lado, seguindo seu fado rotineiro de costumes pontuais observa os vizinhos de transporte, seres grandes e fortes independente de suas feições, que cumprem suas sinas no anseio da satisfação e das alegorias pra se viver, ele não vê que é mais um, igual a eles, eu e você, e continua sua estrada, desce calado e distante quando um braço infante lhe suga da trama, destila fúria até percebe quem lhe convém, então derrama sorrisos, abranda seus passos e vivos terminam o caminho chegando ao lar.



Resumindo:
Ele sai do trabalho correndo, desvia de um ônibus na rua, pega um metrô lotado, desce no terminal, sua mulher o encontra e juntos vão para casa.

Não há momentos sem graça, 
a graça está em vivê-los.

+ caminhos nos meus passos


Os dias se somaram até virar a página do calendário. As pessoas partiram, outras chegaram e eu continuo aqui. Sobre o meu passeio os lagartos aceleram o passo queimando as patas no cimento quente. Além do gramado amarelo os meninos magros de pele encardida se sujam mais na água triste e ‘lodenta’ do rio. Meu filho febril choraminga a ausência, no telefone a saudade também requer paciência e eu me viro acalentando as vontades de duas crianças na terceira idade a respeito das finanças da casa. 
O sol lá fora queima em brasa e eu aqui na sala de estar vejo a estação passar num comercial de tv.


Vir ver o verão
é diferente de VIVER o verão.


Mas a minúcia também tem suas maravilhas. Então aqui do meu barco vou rumando para ilha desconhecida que promove meus passos. Um dia ei de encontrá-la encravada no pacífico oceano de meus sonhos mais reais. Esse é mais um ano de buscas.