31 de janeiro de 2011

Questão de Tempo

E de repente a gente percebe o quanto o mundo muda; E de repente a gente se dá conta de como um mundo novo nos inunda; E de repente a serpente da dúvida se embala em nosso próprio pensamento e nos deixa atordoados olhando pro céu; E de repente o de repente parece fazer parte permanente do destino que a gente está a escrever.
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Rever conceitos, rever histórias, rever novelas pessoais, rever amigos, rever ideias, rever certezas, rever até as próprias revisões acende na lanterna da gente uma confusão de tudo aquilo que parecia apagado. Um homem tem o tempo de uma vida para validar sua passagem, tem as doutrinas da sociedade para indicar um comportamento ou o seu inverso, e as situações de tempo/espaço para agir conforme lhe parece devido. Pós tudo isso o resto é registro, satisfatório ou não, daquilo que ele se permitiu escrever. Cada um carrega em sua biografia os dilemas humanos comuns a todos, e a vida se renova ao nascer de outros dias.
Não parece fácil estar sobre o solo, mas não me parece agradável estar sob o mesmo, então assim vamos passando por nossos percalços e por nossas alegrias. A vida é uma coleção daquilo que nos permitimos.
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Não sei se está boa ou não a vida agora,
mas sei que o instante é passageiro.

25 de janeiro de 2011

30 dias

O que pode acontecer em tempos tão diminutos costuma surpreender o espectador. Em segundos um olhar muda nossas perspectivas, minutos são cruéis na espera pela felicidade, e dias parecem um teste a qualquer lúcido coração.
Passou-se um mês desde que o destino se alterou, a vida daquele homem variou entre o brilho do olhar de quem se entrega e as lágrimas cálidas das incertezas que surgem em contrapartida a qualquer decisão. Os dias foram se somando  entre diferenças e semelhanças, enquanto isso o sentimento se firmava em seu querer. Ele viveu seu último mês de maneira intensa e pensada, as vezes solta e atoa, as vezes de maneira cautelosa e profunda. Dentre todas as viagens que registrou ficou no peito o silêncio da estrada e o pulsar do coração nas chegadas e partidas. Ele caminha.
Chegou aqui hoje e me disse de suas aventuras como um menino que descobriu o mundo que ele mesmo havia escondido. No rosto ainda restam marcas dos sorrisos que andou espalhando pelos cantos por onde passou. Vive sinceramente as alegrias e também as tristezas que atravessam seu destino. Nesses momentos de dor o homem que ri como menino volta ao seu normal pra encarar suas mazelas, ciente de que elas são apenas etapas a ultrapassar. Ele envelhece em sua sapiência precoce, certo de que ainda tem muito a aprender. A vida lhe ensina como uma professora impiedosa e amena. E o mais importante é que ele quer aprender.
Saindo agora aqui de casa, ele me disse que ia construir a sua história sem pressa, afinal os dias devem ser aproveitados ao máximo. Me deu um abraço e deixou em meu peito uma certeza:
"- Lá vai um homem que ama e vive."
Estamos aqui nesse pedaço de chão sendo corroídos pelo tempo para sermos mais que coadjuvantes em nosso próprio destino. Ser homem é ser senhor e também menino, numa alegria imprecisa das motivações. Nós estamos e somos, temos por obrigação a felicidade.

24 de janeiro de 2011

23 de janeiro de 2011

por um sorriso amigo

O dia acordou e eu em meio ao verão me encontrava quilometros distante do lugar da festa de uma amiga que se unia em felicidade e sonho ao homem de seu amor. Era um litoral de encantos que eu abandonava no sol de meio-dia. O mar que eu atravessava brilhava discreto em meu olhar. As paisagens mais simples e belas me enchiam de incerteza da viagem que eu já havia confirmado antecipadamente.
Fim da travessia naútica, veio a estrada e sua distancia geográfica e temporal. Quanto mais próximo mais tarde ficava. Correndo contra o tempo cheguei a cidade de minha pequena, que ainda se aprontava para um casamento que não era o dela. Depois de esperar os retoques intermediários, já que outros retoques seriam feitos no restante do caminho, partimos enfim para meu lar, o ponto de encontro pra o último destino. Já era noite quando o último companheiro de aventura se uniu aos demais viajantes. Dali pra frente apenas pouco mais de 30 km de estrada e enfim o local da reunião amistosa entre os amantes, as famílias e os amigos. Sentamos-nos e esperamos o inicio do ritual. O noivo ansioso como de costume a esperar.  E ela entra belíssima em seus trajes e em sua felicidade exposta. Tudo transcorreu como no previsto, o enlace é feito em sua singela beleza.
Já me daria por satisfeito apenas por presenciar aquele momento de alegria, mas ela nos presenteou dividindo todo seu sentimento conosco. Toda odisseia sucumbiu a um sorriso fraternal que nos preencheu de amor. Ela sorriu e a lua brilhou dentro de nós.

20 de janeiro de 2011

Cruel abstrato


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Uma dor me estrangula internamente como se um buraco negro surgisse em meu estômago. Dilacerando o peito, o silêncio que me habita agora é uma tortura inimaginável aos dias que se passaram. Agora a ausência se faz presente me cada minuto do dia. Uma parte fundamental de nossa alegria não se encontra mais ao lado.
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Qualquer ideia de sentimento é figurativo perto desta desolação.
A saudade que alimenta, também mata.


18 de janeiro de 2011

Abraço apertado

Tianastacia - Minha Sorte

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Tua voz é a porção de paz que meu peito precisa agora.
A dor não vai embora,
mas consigo respirar.

Noctiluca

As marés são proezas naturais as quais não temos controle. O mar é ser supremo em nosso mundo de ideias vagas, tolas e incertas a respeito do que deve ser a vida, de como devem ser as coisas ao nosso redor. Ondas rebentam em minhas costas e o que já foi alegria é hoje dor. A partida do que me é em parte é uma subtração na carne viva de um homem meio menino, meio criança. Aos poucos o litoral que se aproxima é o mesmo que distancia.
Aqui em meu pedaço de continente a semente de um sorriso brilha em meu escuro particular. A lembrança vaga de uma alegria infantil sem sentido, insensata, nata de quem vem ao mundo trazer felicidade, me arrebata. No auge de minha maturidade estou pronto pra afirmar que não estava pronto, não deveria ser assim. Hoje é um brilho presente, distante, e doloroso que meu peito carrega no lembrar que você me é e sempre será.
- Não há no mundo quem eu ame mais.

"A noite tinha acabado
e as feridas estavam abertas
E eu que estava indo para ser seu pai
buscava sem me encontrar
em uma praia deserta"


Noctiluca - Jorge Drexler

15 de janeiro de 2011

Mulher que cresce menina

O tempo é inverso no seu limiar. Um dia a mais é um dia a menos. Mas pra quem guarda no peito o eterno de viver bem, cada dia é uma porção de magia que rejuvenesce a alma. Ali sob as árvores ensolaradas na rotina, vive uma mulher em seu bosque, em sua busca, em seu caminhar vertical atrás do que lhe é de direito.
A musa da canção sem melodia sai ao meio dia sob um sol impiedoso pra descansar da agonia de sua luta. Labuta pra conquistar seu espaço, pois num descaso do acaso ainda está se formulando daquilo que já passou. A menina de lembranças duras vê na sombra da árvore a beleza que o futuro lhe guarda. Ela só sonha em estar bem. E o que lhe vem a frente é incerto como a qualquer um que desfila na palco da vida.
A mulher envelhece menina - na dureza da sina existe a pureza da alma - num  cantar que não desafina.
Ela é amiga do tempo.