A realidade do amor é ficção...
18 de outubro de 2015
O QUE NÃO DEVIA...
Não posso pensar duas vezes em
você durante o dia.
Uma vez é normal, e você não é
nada minha. Eu queria entender essa recorrência em te imaginar comigo, rindo do
nada, vivendo escondido, sabendo que na alvorada se encerra o nosso abrigo e
que o perigo submerge toda vez que tua risada sonsa se espelha no olhar.
Mas o que eu podia fazer, se sem
entender éramos de vez em quando, e de vez em quando foi virando sempre, e de
repente já não era controle e sensatez na condução do desejo, era apenas
ambição do beijo, do corpo, do toque e, o pior, do jeito estranho de me fazer
sorrir.
Eu erro toda vez que digito um
bom dia, pois o dia já nasce feliz quando chego em nosso mundo. Não é amor,
não. Não é só desejo também. Gosto da grata imprecisão de nosso trato, de tua
discrição quanto ao fato, e do afeto que nos damos quando chegamos nessa
dimensão distante, onde os ecos desse espaço que nos tem, sussurram ao longe.
Da primeira vez que te tenho em
meu dia é saudade. A saudade de tudo que somos no pouco tempo que temos. Sem as
obrigações da rotina, sem o controle machista, sem a insegurança menina. Sem os
porquês, os ‘entãos’ e eteceteras de toda história comum. Saudade de ser o que
não podemos, e ainda assim somos.
Da segunda vez é o imprecisão. É o
desejo do calor do teu corpo no abrigo dos meus braços, é o carinho com que escuto
tuas narrativas insonsas, a alegria das piadas infames, o suor do nosso atrito
safado, o sorriso alado de nossas frases lucidamente embriagadas e o instinto de
consumação que nos consome. Sou um nada teu, em dias errados, numa história
confusa, de tardes alegres, noites bacanas e madrugadas eternas.
De antes até o ‘já chega’, você,
que não é nada minha, que não é minha, que não devia, ... você é.
Vamos ver onde vamos acordar amanhã
Os melhores planos às vezes
são apenas uma noite sem compromisso
Lost Star – Adam Levine
25 de agosto de 2013
20 de junho de 2013
O Povo, a Revolta & o Inusitado
O Brasil de todas as cores e
todos os cantos se levanta na ânsia de modificar a cara de sua realidade. Na
base do grito coletivo uma massa de novos ânimos se lança nas ruas com o
coração cheio de expectativas e reclamações. Do escritório calado os representantes
políticos assistiam indiferentes até que a casa do povo fosse tomada por seus
verdadeiros proprietários.
O povo sem partido, inteiro e
unido, canta o choro da rotina, dobrando esquinas até que a cidade inteira se
sinta abraçada. Ali vai a massa ativa e atuante tentado fazer florescer em mentes
passivas como as que assistem silenciadas pela tevê ou pelas redes sociais da
internet a mesma vontade de tomada de poder, fazer valer o que de si emana,
viver na base mais sincera a democracia. Ali caminham milhares por milhões que
esperam nas filas de suas necessidades.
Em campo um Brasil de chuteiras em
busca de gols que pouco pode nos saciar, nas ruas um outro descalço que
persegue o incerto que pode no mínimo nos recarregar com energia e esperança. A
revolta contra a corrupção, a impunidade e todos os resultados dessa soma é a mais consciente
representação de um povo que entende que vive num país em evolução, mas que tem
nessas barreiras o gargalo que impede a beleza de uma sociedade realmente
integral com condições dignas de sobrevivência. Paga-se por um país de
qualidade, produto ainda não entregue.
O povo apartidário mostra que é politizado,
levanta suas mãos em protesto por todo esse cenário de ficção que afugenta os
bons e honestos cidadãos do circo do poder. Não queremos mártires, queremos um
país e não um herói. O herói é o povo.
Dentro dessa ‘misturança’
empolgante o que me brilha diante dos olhos é o inusitado do momento. Sempre fã
do Rappa, banda com som caracteristicamente Social, vejo em sua produção mais
capitalista, também seu maior manifesto popular. O povo VEM PRA RUA conclamar o
próprio povo. É hora do novo. É hora de gritar pelo que seja o bem pra todos.
Viva a REVOLTA dos CENTAVOS!
Viva a MARCHA dos DESCALÇOS!
Viva a COPA das MANIFESTAÇÕES!
VIVA O POVO BRASILEIRO!!!
9 de junho de 2013
Eu, Amy, Kurt & Jim
Alguns cantam seus medos e partem eternos,
outros se partem em eternos medos.
O que diferencia quem se permite
de quem se proíbe ser
é a realização de suas escolhas.
Velho, hoje mais do que qualquer dia já vivido
sinto o estampido do meu revellion
reverberar na caixa torácica.
No dia que destrói a noite
a diversão em perder e fingir
me faz sair sozinho por ai.
Na confusão particular de mim
com a dualidade de sempre
me buscando, o não e o sim,
como no rebobinar da fita cassete.
Agora é outro tempo.
27.
outros se partem em eternos medos.
O que diferencia quem se permite
de quem se proíbe ser
é a realização de suas escolhas.
Velho, hoje mais do que qualquer dia já vivido
sinto o estampido do meu revellion
reverberar na caixa torácica.
No dia que destrói a noite
a diversão em perder e fingir
me faz sair sozinho por ai.
Na confusão particular de mim
com a dualidade de sempre
me buscando, o não e o sim,
como no rebobinar da fita cassete.
Agora é outro tempo.
27.
22 de abril de 2013
Extremidades Fronteiriças do Limite
- descobrir-se é uma ventura
insanamente adorável.
No desejo a inocência é infante e
a maldade é adulta, a juventude é o tempo da malícia tolerante. Um adolescente
que busca se conhecer vai além de todas as pistas para ter o que não sabe. Cada
curva, cada noite, cada segredo que se guarda é uma arma na incerteza do
disparo. Cada beijo, cada toque, cada vontade que se exalta é sem data a
lembrança que se esquece, ainda que o olhar não passe despercebido pela
nostalgia de um relembrar.
Dois jovens afoitos, na suspeita
encabulada de um coito, escorregam pela rua, desconfiados e tagarelas. A menina
magra que floresce lentamente não pressente as cicatrizes desse instante; o
garoto alarmado pelo prêmio conquistado quando não era previsto, sente um misto
de heroísmo e malandragem. Ambos crescem nessa noite bem além de suas idades. Sentem
o gosto do prazer e o temor do revelar. Num novo encontro é aquele encanto
encabulado de travessos perdoáveis, guardam mudos por saber que não sabem o que
falar. Ambos olham e já sabem o que querem repetir.
Depois se cresce, envelhece-se na
verdade, e a pureza inocente se despe em maldade, maldade boa, saborosa, mas
sem o charme da insegurança. Pois do adulto e da criança pressupõe-se que são convictas
as ideias, ainda que de inversas belezas. Mas ao adolescente é permitida a imprecisão
da insonsa safadeza.
20 de março de 2013
Meia-Noite com os Fantasmas
Todas as noites quando me ponho
sobre a cama e ajeito o travesseiro, sinto o aperto em dividir este espaço com
tantos fantasmas do meu passado. O peso desolador daquelas imagens distorcidas
de uma lembrança que não quero ter, a sensação de compressão que se espalha
pelo peito, o medo de encarar aquelas cenas perversas infinitas vezes. Viver
com meus erros, com os erros dos outros, e principalmente com os não cometidos,
faz-me um ser igual a todos, e nada me angustia mais do que essa sensação de
massa, pois na minha consciência, leiga
e jovem-adulta, o pior paradoxo é essa ideia de solidão e multidão.
Queria poder fazer um ‘Ctrl +
Del’ e excluir definitivamente as insones recordações de outros eus, e vagar
pelas estradas das possibilidades que meu passado guarda, as encruzilhadas que
nunca serão desbravadas, pois as escolhas que fiz me trouxeram a este destino,
e desconheço maneiras de viver realidades paralelas. Ao tempo disso, ainda
existe o apego pelas conquistas que me possibilitei viver, os bens que adquiri
e me fazem o melhor que posso hoje, não há como desapegar. Não existe uma vida
perfeita pra ninguém, mas é duro admitir que a vida do outro também possa ser
assim tão cheia de incertezas, desilusões e dores, se no mais íntimo de nossas
essências vive o embrião-mestre de nossas características, o ser egoísta que
por temporalidade do ser não pode se permitir sofrer pelo outro, já sofremos o
bastante por nós mesmos. Queria apagar todas as noites e acordar com a
alvorada, ainda que os pensamentos diurnos me trouxessem todas estas incursões
tenebrosas dos ‘fantasmas nossos de cada dia’, pois o desligar faz bem, e é
preciso não pensar de vez em quando. Mas já que optei por encarar essa jornada,
vou viver a caminhada de maneira limpa, amargurando cada dor em sua etapa e me
esforçando para ser melhor de maneira progressiva. A vida é uma colcha de
retalhos coloridos e estampados, nem todos os retalhos são bonitos.
...envergo mas não quebro!
3 de fevereiro de 2013
O homem & o fumo enrolado em papel de seda
“
Depois de um tempo meu ‘fí’
todo homem tem que entender o seu lugar.
Quando eu era um menino moço,
‘muderno’ como essa juventude de agora, a vida era outra. Os menino da fralda
passava direto pro trabalho. O homem pra ser homem, tinha que estufar o peito e
labutar de ‘só à só’ pra conquistar o prato de farinha. Os pais da gente eram
tudo ignorante, mas ignorante no ponto da brutalidade, duro como pedra,
daqueles que faziam o ‘currião’ cantar no menor sinal de afronta.
Naquela época é que o povo era
valente de verdade. Quando começava uma peleja, os ‘brabos’ amarravam as
camisas e o facão cantava até o sangue ensopar a roupa do mais fraco. Não tinha
essa história de atirar e correr no rabo da moto. O homem de verdade olhava o
inimigo no olho e dizia “agora tu vai morrer seu ‘fi duma rapariga’”, e o
‘miserávi do fela da rapariga’, se fosse homem mesmo, chamava no ‘biscó’ antes
do primeiro terminar o dizer.
No mundo de hoje as coisas é
pior. A juventude se perde nas porcarias. No meu tempo a gente crescia no uso
do fumo e da cachaça, que até hoje eu carrego, num vou negar! Mas também se eu
ficasse no chão, pai nem mãe eu queria incomodar. E no outro dia, fazendo chuva
ou ‘só’, podia ir na roça que eu tava lá. Os meninos de hoje já cresce querendo
ser vagabundo, é o fim do mundo, como já dizia minha finada mãe.
Deus num fez o mundo assim
não. Vai chegar um tempo que os homens vão querer um canto de paz e sossego e
vão achar na morte esse cantinho de remanso.
Mas, mesmo assim, eu é que não
quero descanso.
”
Será possível no futuro que eu
me lembre do presente agora de maneira tão romântica.
Torço para que não, do
contrário prefiro não imaginar o futuro que me aguarda.
25 de dezembro de 2012
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